quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Feriado com a bola no pé

Nos dias 28 e 29 de Outubro, dia do servidor público, a Universidade de Brasília estava em recesso. No entanto, desde o dia 27, pleno domingo, gritos puderam ser ouvidos na conhecida quadra do Banco Real, era o FAC Gol. Campeonato de futebol organizado pelos alunos da FAC, que nesse semestre atraiu 11 times.
A organização foi uma iniciativa de dois estudantes, Pedro Rafael da Costa, o Byll, sexto semestre de Comunicação Social e Eduardo Rodrigues, o Tirão, nono semestre do mesmo curso. O FAC Gol já existia desde 2004, mas deixou de acontecer por um tempo, voltando a ser realizado no primeiro semestre de 2008. Esta foi a segunda edição da nova etapa e a quinta desde o primeiro.
Byll entrou com a inscrição de times e reserva de quadra. Ele conta que desde a época de escola se dedica à organização de eventos. “Quando entrei na UnB, em 2006 conheci o Tirão e o Chicó. A idéia era resgatar o FAC Gol e fazer uma coisa grande, no parque da cidade”. Eles começaram com um futebol aos sábados, que originou o Futebol Organizado pelos Alunos de Comunicação Social (FRACOS), precursor do campeonato.
Tirão ocupou-se com a divulgação e criação do blog que narra todo o evento. Juntos, resgataram o FAC Gol. A primeira reedição contou com a inscrição de oito times. Nesta foram 11, Onitorrincos Alados, Amigos do Tirão, Time de Quinta, Red Bulls All-Stars, Selebaixos, Seleção Canarinho, Chicos F.C., Laranja Mecânica, Alambique Futebol e Chopp, Sassaricando e Tímido Suquinho.
O campeonato foi exclusivamente masculino, por não haver times femininos suficientes. Semestre passado, entretanto, foi um dia só para elas. Não lotou tanto quanto o dos homens, mas foi um começo. “Tem muita gente que joga aqui, precisamos só nos organizar. Fora que esporte une e é uma diversão tão necessária quanto as festas. Deviam ter mais eventos como esse”, disse Manuela Marla Gomes, estudante do quarto semestre e jogadora do Amigas do Tirão, versão feminina do time Amigos do Tirão. 
Pontualmente às 10h40m da terça-feira, começou a final, resultado de três dias de eliminação. Para a disputa, os veteranos Red Bulls e Onitorrincos Alados. Mesmos times e mesmos jogadores da final passada. Desta vez, sob um novo nome, a antiga Selefac, atual Red Bulls conquistou novamente o troféu e as medalhas de ouro. Onitorrincos perderam por 1x0. A torcida foi unâmine: “Final mais sem graça, queremos um segundo tempo”. 
Se o final foi sem graça, não se pode dizer o mesmo da disputa pelo 5º lugar. Chicos F.C. e Laranja Mecânica, um empate de 4x4 que levou aos pênaltis: 3x2 para Chicos F.C. Quem perdeu o último chute foi Nicolas Cabral, sétimo semestre. “Acho que não ajo bem sob pressão. Escutei alguém gritando ‘ele não bate bem’ e pronto, errei”.
Para o prêmio duas caixas de cerveja, uma de Red Bull, além de medalhas e troféus. Foram premiados os primeiro, segundo e terceiro lugares, o artilheiro e o melhor goleiro. Red Bulls, Ornitorrincos e Selebaixos ocupando as primeiras posições. Como artilheiro, o organizador Byll, que jogou no time campeão. Bruno Gallo, o Fred, como melhor Goleiro, pelo Onitorrincos. “Levei apenas três gols em oito partidas. Essas pessoas jogam bem. Semestre que vem to aí de novo”. Ele cursa o segundo semestre e participou pela primeira vez. 
A torcida ficou lotada durante os três dias, sendo composta pelos jogadores, amigos e por apenas três mulheres. Uma delas, Sacha Brasil, estudante do quinto semestre, acompanhava o namorado, Pedro Ramirez. Ele hoje está no quarto semestre, mas joga desde o primeiro, tanto no FAC Gol quanto nos Jogos Internos da UnB (Jiunbs). Ela enfrentou o sol e, com a câmera na mão, registrou os melhores momentos. 
Anna Luiza Corrêa e Juliana Contaife vieram para apoiar os amigos, “é muito divertido. E a nossa torcida ainda foi disputada pelos Chicos e pelo Onitorrincos, também do segundo semestre.” Elas não se arrependem de terem doado o feriado, “a gente tem que dar uma força, né?”
Há os que jogam, os que torcem e o juiz. Nesse caso, ele já era um amigo antigo. Emanuel de Oliveira, o Emano, apitou pela primeira vez, mas já conhecia a todos, é primo de Byll e está em todas as festas, às vezes, até como segurança ou bilheteria. Ele tem 26 anos, cursa Fisioterapia no Ceub e conta: “O nível do campeonato não é muito bom não, mas eles são bem unidos. Vale pelo espírito esportivo.”